domingo, 7 de fevereiro de 2016

Lembrete

"No dia em que eu agir", diz o Senhor dos Exércitos, "eles serão o meu tesouro pessoal. Eu terei compaixão deles como um pai tem compaixão do filho que lhe obedece.
Então vocês verão novamente a diferença entre o justo e o ímpio, entre os que servem a Deus e os que não o servem.
Malaquias 3:17,18

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A Grande Esperança

Naquele dia morno e luminoso de abril, Ramiro passeava pelo jardim do hotel, feliz e achando que estava vivendo o melhor de saúde, longe de imaginar que se achava a poucos dias de sua morte. Sem que ele soubesse, um terrível câncer devorava sua vida há muito tempo. Na manhã seguinte, ao tomar conhecimento dos resultados dos exames médicos, sentiu como que uma bomba explodindo em sua cabeça.
A vida é curta e, com frequência, vem acompanhada de agruras e dificuldades, mas quando chega o momento final da existência, todos se agarram a ela. Era assim que ele se sentia. Ele tinha apenas 50 anos de idade; jovem demais para despedir-se da vida. Em dois meses, nasceria o primeiro netinho. Por isso, ao inteirar-se de que lhe restavam poucas semanas de vida, afundou-se num abismo de desespero e desencanto. A pequena fé que tinha conservado desde criança desapareceu e se perguntava:
- Onde está Deus? Por que permitiu que me acontecesse isso?
 Na última semana de vida, ainda no hospital, recebeu a visita de um capelão. O homem de cabelo branco e voz pausada fez uma oração, que nada significou para ele. A confiança em Deus encontrava-se completamente abalada a essa altura. Apesar disso, ficou impressionado com um versículo da Bíblia que o capelão leu: “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos Céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4.13-16).
Ao ouvir essa promessa, ele como se buscasse um raio de esperança perguntou:
- O senhor quer dizer que Jesus vai voltar e que, naquele dia, vou ressuscitar?
- É isso que declara a Bíblia – respondeu o capelão. – Por isso, Jesus disse: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em Mim. Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, Eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando Eu for e vos for e preparar lugar, voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou estejais vós também” (João 14.1-3).
Não se poderia dizer que ele fosse um incrédulo. Mas religioso também não era. Seus pais tinham sido cristãos e iam com ele à missa todos os domingos. Mas o tempo tinha passado e, na universidade, embora não tivesse perdido a fé por completo, para ele, Deus era apensa um espécie de amuleto do qual se lembrava cada vez que enfrentava dificuldades. Porém, agora, sentenciado à morte pelo câncer, sentia-se esquecido por Deus.
- É possível acreditar nas coisas que a Bíblia diz? – perguntou magoado.
- Veja, Ramiro – respondeu o capelão -, na Bíblia existem mais de 3 mil promessas. Cada uma delas tem o poder de revolucionar a vida de qualquer pessoa que tenha fé.
- Tantas assim?
- Sim. Existem promessas condicionais e incondicionais. A promessa da segunda vinda de Cristo é um exemplo de promessa incondicional. Ele virá na hora certa independentemente de qualquer coisa.
- Quer dizer que Jesus voltará mesmo?
- Sim. Os seres humanos acreditem ou não, quando chegar o dia e a hora da vinda de Cristo, Ele virá. Os cristãos genuínos sempre aguardaram ansiosamente o cumprimento dessa promessa. A volta de Cristo é mencionada 300 vezes só no Novo Testamento. Jesus regressará, terminará com a história de pecado e dará início a um mundo sem dor, sem doença e sem injustiças.
A última frase do capelão tocou o coração de Ramiro, que imediatamente indagou:
- E quando Ele virá?
- Veja que Jesus disse sobre isso: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos Céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mateus 24.36).
- Então, ninguém sabe?
- Não. Porém, temos sinais que indicam a proximidade desse evento. Jesus, quando esteve na Terra, disse: “Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; [...] Aprendi, pois a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, sabeis que está próximo o verão. Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça” (Mateus 24.7,11-12; 32-34). Não é esse o quadro que a humanidade vive em nossos dias?
Ramiro estava debilitado por causa do tratamento. Seu corpo estava sendo carcomido por dentro, mas o diálogo com o capelão parecia animá-lo.
- E como será esse retorno? – perguntou ansioso.
- Será um retorno visível e real. O mundo todo verá. Quando Jesus ascendeu aos Céus, Seus discípulos ficaram tristes, olhando as nuvens enquanto o Mestre desaparecia. Então se apresentaram dois anjos e lhes disseram: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao Céu virá do modo como O viste subir” (Atos 1.11). Os discípulos O viram subir de forma visível. Ele retornará dessa forma. O próprio Cristo disse: “portanto, se vos disserem: Eis que Ele está no deserto! Não saiais. Ou: Ei-lo no interior da casa! Não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do homem. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. [...] todos os povos da Terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória” (Mateus 24.26-27; 30).
- Mas eu ouvi que Jesus já teria voltado e somente os justos poderiam vê-lo com os olhos da fé.
- Existem pessoas que afirmam isso, mas as Escrituras ensinam o seguinte: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho O verá, até quantos O transpassaram. E todas as tribos da Terra se lamentarão sobre Ele. Certamente. Amém!” (Apocalipse 1.7).
- Quem são aqueles que o transpassaram?
- São os que feriram Jesus na cruz, mas incluem-se também todos os inimigos do cristianismo ao longo da história. Eles ressuscitarão antes de Jesus regressar, para vê-lo no esplendor de Sua glória. Portanto, o regresso Dele não será um ato secreto.
- Então ninguém será deixado para trás? – perguntou o filho de Ramiro, até então em silêncio.
- A ideia de um arrebatamento secreto vem da má compreensão do ensino de uma fala de Jesus em Seu sermão profético: “Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem. Então, dois estarão no campo, um será tomado, e deixado o outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada a outra; Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (Mateus 24.38-42).
- Poderia nos explicar melhor esse texto? – perguntou novamente o filho.
- Claro que sim. A Bíblia é uma unidade e precisa ser entendida à luz de seu contexto. Por exemplo: Qual é o tema de Mateus 24?
- A segunda vinda de Cristo – respondeu Roberto, que a essa altura parecia mais interessado do que o próprio pai.
Ramiro olhou para o filho com admiração.
- É isso! Continuou o capelão. – Mateus 24 enfoca a volta de Cristo e os sinais que acontecerão antes de Sua vinda. O verso 38 diz que os dias antecedentes ao retorno de Jesus serão como os dias anteriores ao dilúvio, nos quais as pessoas viviam completamente alheias ao que aconteceria. Prosseguiram com a vida normal, comiam, bebiam, casavam-se, iam à escola, trabalhavam, compravam e vendiam. Enfim, não tinham a mínima noção do que estava para acontecer, até que repentinamente chegou o dilúvio. Oito se salvaram, enquanto os outros foram deixados para trás.
- Mas o verso 40 diz que estarão no campo, um será tomado e o outro deixado – inquiriu Roberto.
- Exatamente, mas o que se quer enfatizar nesse verso é o elemento surpresa na vinda de Jesus. Ninguém sabe o dia nem a hora. É preciso estar permanentemente preparado, porque quem estiver pronto será levado e quem não estiver será deixado para trás. Mas tudo isso acontecerá somente quando Jesus retornar. Por isso, os versos 30 e 31 afirmam: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da Terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. E ele enviará os Seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os Seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mateus 24.30-31). O arrebatamento não será em segredo, mas um ato público visível para todas as pessoas.
- Os próprios anjos juntarão os escolhidos quando Jesus voltar?
- Exatamente. Por isso, depois de fazer a ilustração das mulheres do moinho e dos homens do campo, Jesus disse: “Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá” (Mateus 24.44). Ele torna a enfatizar a necessidade de preparo para a Sua segunda vinda. Quem não estiver pronto, infelizmente, será deixado para trás.
- Isso é meio assustador – argumentou Ramiro, mudando de posição na cama. Desde a entrada do pecado, a humanidade tem vagueado no deserto da vida, desejando um mundo melhor. Muitos morreram no caminho e não viram a concretização de sua esperança. Vejam o que diz aqui. “E que mais direi? Certamente, me faltará o tempo necessário para refletir o que há a respeito de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas, os quais, por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca dos leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros. Mulheres receberam pela ressureição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressureição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra. Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa” (Hebreus 11.32-39).
- Toda essa gente sofreu esperando a promessa e não a recebeu. O senhor não acha isso injusto?
- Eles não deixarão de ver a promessa cumprida porque, ao soar a trombeta por ocasião da volta de Cristo, todos os mortos em Cristo ressuscitarão para receber Jesus com os braços abertos: “Naquele dia, se dirá: Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos; na Sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Isaías 25.9).
Uma lágrima silenciosa rolava pela face de Ramiro, mas não era de tristeza. Podia-se notar o brilho da esperança em seu olhar quando perguntou:
- Quer dizer que eu também estarei lá?
- Com certeza. As promessas divinas são para o senhor também.
Roberto sentou-se ao lado do pai e passou a mão na cabeça do homem que tinha sido o seu melhor amigo. Ao ver aquela cena, o capelão continuou:
- Leiam comigo o que o apóstolo Paulo diz escrevendo aos tessalonicenses: “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas também transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte pela vitória” (1 Coríntios 15.51-54).
- Isso é maravilhoso. Obrigado! – disse Ramiro, emocionado.
- E por que Jesus não volta logo? – perguntou o filho.
- Vejam queridos: Deus é amor e está trabalhando no coração de muitas pessoas para que aceitem esse amor. O apóstolo Pedro declara com relação a isso: “Não retarda o Senhor a Sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a Terra e as obras que nela existem serão atingidas” (2 Pedro 3.9-10).
- Será como nos filmes?
- Acho que a imaginação humana não é capaz de reproduzir o que realmente acontecerá. Não desejo assustá-los, mas enquanto os que aceitam Jesus como o seu Salvador levantarão os braços para recebê-lo, os que rejeitem o amor de Deus entenderão plenamente o erro que cometeram e visualizarão o terrível castigo que amargarão: “Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela Terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face Daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” (Apocalipse 6.12-17).
- Roberto estava chocado com a leitura desse último texto. Pegou a Bíblia e leu de novo aquela parte e afirmou:
- Esse não parece um Deus de amor!
- Ah, Roberto, esse é um assunto que todos precisam entender. Quando o ser humano se afasta de Deus, na realidade, se afasta da vida e entra no território da morte. Mas a Bíblia é clara: “Dize-lhes: Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois que haveis de morrer, ó casa de Israel:” (Ezequiel 33.11). Hoje Deus nos chama sem cessar. Muitas pessoas aceitam Seu chamado, mas infelizmente outras rejeitam.
- É verdade.
- Há ainda os que, além de não aceitar, caçoam dos que creem. Por isso, Pedro afirma: “Tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação” (2 Pedro 3.3-4). Não é esse o retrato de grande parte da humanidade?
Pai e filho estavam comovidos. Eram pessoas sinceras, vivendo um momento difícil. Não se poderia dizer que eram pessoas religiosas. Jamais haviam estado comprometidos com alguma igreja. Naquele dia, eles aceitaram a visita do capelão do hospital quase por cortesia, mas, à medida que a conversação avançava ambos mostravam interesse nas coisas de Deus e se surpreendiam com as verdades que ignoravam.
- Como pudemos ignorar isso por tanto tempo?  - perguntou Ramiro.
- Isso não é problema. O que vale é que agora vocês entenderam que não há motivo para viver sem esperança. A volta de Cristo é o fim da história do pecado e do plano de salvação. Se Cristo não retornasse a Terra, a salvação não teria muita lógica. Com que propósito Ele nos teria salvado? Para continuarmos vivendo eternamente neste mundo de sofrimento e dor, salvos do pecado, mas prisioneiros ainda de suas consequências? A volta visível de Jesus é o fim definitivo do pecado. Essa é uma promessa divina, e Ele disse que “não se levantará por duas vezes a angústia” (Naum 1.9).
Mas por que o Senhor demora tanto? Essa parecia ser a pergunta que não queria calar naquela conversa. A expectativa é parte da natureza humana. Quando Deus prometeu a Adão e Eva que viria um filho da semente da mulher para redimir o mundo, eles pensaram que seu primogênito, Caim, seria esse salvador. A partir de então, cada filho que nascia era uma esperança frustrada. Por isso, em Israel, as mulheres que não podiam ter filhos sentiam-se amaldiçoadas. Todas esperavam que de seu ventre nascesse o Messias. Passaram gerações até que, finalmente, Jesus chegou.
Algo parecido acontece conosco hoje. Desde que Jesus disse: “Virei outra vez” (João 14.3), a humanidade espera ansiosa. Paulo e Pedro O esperavam em seus dias e morreram sem ver a realização da promessa.
Repentinamente, Roberto quebrou o silêncio entre os três:
- Não consigo harmonizar a urgência desse evento com a demora.
- É verdade - disse o capelão. – É uma aparente incoerência. Por exemplo, João diz: “Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” (Apocalipse 22.7). E, no começo do verso 6, registra: “Disse-me ainda: Estas palavras são fieis e verdadeiras”.
Como podem ser fieis e verdadeiras se Jesus disse que voltaria em breve e ainda não voltou? A resposta talvez seja que o conceito que o ser humano tem do tempo. A perspectiva de vida de 100 anos para o homem é muito tempo, mas não para Deus. Por outro lado, existe o fato de que Deus espera que todos se arrependam. Mas, quando o dia e a hora chegarem, o Senhor virá para levar Seus filhos. Por isso, hoje é o dia de boa-nova. Hoje é o dia de decisão.
Cinco dias depois da visita do capelão, Ramiro faleceu com paz e esperança em seu coração. Porém, antes de o capelão sair do quarto, confidenciou-lhe sua história:
- A vida tem surpresas que a gente nem imagina. Ouvi tanto falar da Bíblia ao longo de minha vida, mas nunca tive a curiosidade de saber nada. Vivi para o trabalho, lutei para educar meus filhos e vê-los felizes e jamais tive tempo para pensar em Deus. Hoje, mesmo contra minha vontade, estou aqui diante da Bíblia e percebo quanta coisa perdi.
- O importante é que o senhor é sensível à voz de Jesus neste momento. Ramiro olhou para o filho e disse:
- Filho, estude a Palavra de Deus. Para você há tempo. Leve essas verdades para sua família.
Roberto não disse nada. Simplesmente apertou a mão do pai carinhosamente. O sepultamento de Ramiro foi inspirador. Um coral da igreja do capelão foi cantar no cemitério. Aquela tarde sombria foi iluminada com os acordes do hino que o coral cantava:
Quando Deus fizer chamada para os santos Seus reunir,
Estaremos lá perante o lindo mar;
Quando Cristo aqui descer e para a glória os conduzir,
Que feliz reunião teremos lá no lar!
Que prazer, que glória,
Quando Cristo, enfim, os salvos Seus buscar!
Que louvor! Vitória!
Que feliz reunião teremos lá no lar!

A esposa de Ramiro, os dois filhos e as noras continuaram estudando a Bíblia. Eles descobriram a única esperança.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A importância do perdão








O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.
Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:
- Pai estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito aquilo comigo. Desejo tudo de ruim para ele.
Seu pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:
- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou calado. Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:
- Filho faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.
O menino achou que seria uma brincadeira divertida e passou mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo. Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai que espiava tudo de longe se aproxima do menino e lhe pergunta:
- Filho como está se sentindo agora?
- Estou cansado, mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.
O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:
- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.

O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Zeca só conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos. O pai, então lhe diz ternamente:
- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você.
O mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.
Cuidado com seus pensamentos, eles se transformam em palavras;
Cuidado com suas palavras, elas se transformam em ações;
Cuidado com suas ações, elas se transformam em hábitos;
Cuidado com seus hábitos, eles moldam o seu caráter;
Cuidado com seu caráter, ele controla o seu destino.
O perdão é uma das coisas mais libertadoras que alguém pode fazer. A falta de perdão é como uma pedra amarrada na perna de alguém, que a arrasta para o fundo do mar. Se Deus perdoou os nossos pecados e se nós queremos ser parecidos com Deus, que motivos podemos ter para não perdoar alguém?
Se nós perdoarmos, receberemos perdão, essa é uma verdade que nos deve motivar. Se realmente compreendemos o que Jesus fez na cruz, o perdão deve fluir no nosso coração. "E, quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que também o Pai celestial perdoe os seus pecados. Mas, se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está nos céus não perdoará os seus pecados."
Marcos 11.25-26



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A História do Lápis

O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou: - Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim? A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto: - Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse. O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial. - Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida! - Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo. "Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade". "Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor." "Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça". "Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você." "Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação".
Ouça conselhos e aceite instruções, e acabará sendo sábio. (Provérbios 19.20)


Pois eu lhes darei palavras e sabedoria a que nenhum dos seus adversários será capaz de resistir ou contradizer. (Lucas 21.15)


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016


Qual a aparência dos anjos?

Descrições da aparência dos anjos

Isaías 6.2-3
Acima dele estavam serafins; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés, e com duas voavam. E proclamavam uns aos outros: "Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória".
Ezequiel 1.4-24
Olhei e vi uma tempestade que vinha do norte: uma nuvem imensa, com relâmpagos e faíscas, e cercada por uma luz brilhante. O centro do fogo parecia metal reluzente, e no meio do fogo havia quatro vultos que pareciam seres viventes. Na aparência tinham forma de homem, mas cada um deles tinha quatro rostos e quatro asas.
Suas pernas eram retas; seus pés eram como os de um bezerro e reluziam como bronze polido. Debaixo de suas asas, nos quatro lados, tinham mãos humanas. Os quatro tinham rostos e asas, e as suas asas encostavam umas nas outras. Quando se moviam andavam para frente, e não se viravam.
Quanto à aparência dos seus rostos, os quatro tinham rosto de homem, rosto de leão no lado direito, rosto de boi no lado esquerdo, e rosto de águia. Assim eram os seus rostos. Suas asas estavam estendidas para cima; cada um deles tinha duas asas que se encostavam à de outro ser vivente, de um lado e do outro, e duas asas que cobriam os seus corpos.
Cada um deles ia sempre para frente. Para onde quer que fosse o Espírito eles iam, e não se viravam quando se moviam. Os seres viventes pareciam carvão aceso; eram como tochas. O fogo ia de um lado a outro entre os seres viventes, e do fogo saíam relâmpagos e faíscas.
Os seres viventes iam e vinham como relâmpagos. Enquanto eu olhava para eles, vi uma roda ao lado de cada um deles, diante dos seus quatro rostos. Esta era a aparência das rodas e a sua estrutura: Reluziam como o berilo; e as quatro tinham aparência semelhante. Cada roda parecia estar entrosada na outra. Quando se moviam, seguiam nas quatro direções dos quatro rostos, e não se viravam enquanto iam.
Seus aros eram altos e impressionantes e estavam cheios de olhos ao redor. Quando os seres viventes se moviam, as rodas ao seu lado se moviam; e, quando se elevavam do chão, as rodas também se elevavam. Para onde quer que o Espírito fosse, os seres viventes iam, e as rodas os seguiam, porque o mesmo Espírito estava nelas.
Quando os seres viventes se moviam, elas também se moviam; quando eles ficavam imóveis, elas também ficavam; e quando os seres viventes se elevavam do chão, as rodas também se elevavam com eles, porque o mesmo Espírito deles estava nelas.
Acima das cabeças dos seres viventes estava o que parecia uma abóboda, reluzente como gelo, e impressionante. Debaixo dela cada ser vivente estendia duas asas ao que lhe estava mais próximo, e com as outras duas asas cobria o corpo. Ouvi o ruído de suas asas quando voavam. Parecia o ruído de muitas águas, parecia a voz do Todo-poderoso. Era um ruído estrondoso, como o de um exército. Quando paravam, fechavam as asas.
Concluindo: os anjos são seres espirituais (Hebreus 1.14), então não têm qualquer forma física essencial. Entretanto, os anjos têm a habilidade de aparecer na forma humana também. Quando os anjos apareceram aos seres humanos na Bíblia, eles pareciam homens normais. Em Gênesis 18.1-19, Deus e dois anjos apareceram como homens e comeram uma refeição com Abraão. Os anjos aparecem como homens muitas vezes ao longo da Bíblia (Josué 5.13-14, Marcos 16.05), e nunca aparecem à semelhança das mulheres.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sabedoria Divina

Em um país distante, havia uma lei que determinava que uma vez ao ano, trinta prisioneiros da cidade fossem sorteados aleatoriamente para serem executados, pensando desta forma em diminuir a criminalidade.
Com o passar dos anos toda vez que se aproximava esta data uma imensa tristeza tomava conta da cidade. Chegado o dia mais triste do ano para a cidade, eis que o governador sai de sua casa e se dirige para a sede do governo onde deveria assinar a lei com os respectivos condenados. O decreto deveria ser assinado até as 12:00 h ou perderia sua validade, sendo os condenados reenviados ao cárcere.
No trajeto até o palácio o governante observa o cotidiano da cidade através da janela de seu carro quando de repente, seus olhos observam duas crianças correndo. A maior delas correndo e brincando com menor. De repente a criança menor cai e é acudida pela maior, que para fazê-la parar de chorar, a distrai e carrega-a nos braços.
Seu carro já vai distante, mas ele fixa seu olhar naquela cena. Chegando ao seu gabinete, pede para não ser incomodado e fecha as portas. Aquela cena não lhe sai da mente e o remete às entranhas do seu ser ao ver a criança maior protegendo a menor. Um turbilhão de pensamentos passa em sua cabeça, assim o tempo passa e são 12:00 h. Uma explosão de alegria toma conta da cidade e todos se rejubilam, pois a lei não seria cumprida hoje e talvez nunca mais.
Uma mãe então entra em casa gritando feliz:
– Filhinhos, filhinhos! O Governador não assinou a perversa lei. Seu pai, eu não queria contar-lhes, tinha sido escolhido para ser executado, mas graças a Deus ele estará conosco semana que vem! Viva! Viva!
– Que bom mãe! Que bom mamãe!
– E vocês? O que fizeram?
– Nada não mãe. Nós saímos para brincar, mas o Andrezinho caiu, chorou aí eu tive que carregá-lo no colo e contar algumas histórias para ele. Eu acho que nós nem deveríamos ter saído de casa…

É assim que Deus age em nós… Muitas vezes nem percebemos os seus sinais, mas Ele sabe como fazer aquilo que nos é aproveitável e usa os emissários do bem para que enxerguemos a vida de maneira diferente. Não se esqueça jamais que Deus vela por nós todos os instantes!